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Ao que tudo indica, Proclus utiliza-se do termo 'hyperapophasis' [ΥπερaποΦασισ] apenas uma vez (In Parmenidem, 1172) em toda a sua obra; não obstante, o desenvolvimento da Mistagogia do Uno, que aí se instaura, sustenta-se unica e exclusivamente na hipernegação.

Essa consiste numa negação transcendente, também chamada produtiva ou por excesso, a qual, em função disso, na medida em que é nela que algo é negado em relação ao Uno, bem como na medida em que é ele mesmo quem excede isso que dele é negado, ele o produz justamente porque ele é o primeiro princípio e é dele que o principiado procede (Théologie platonicienne, II, 10). De onde a hiperapophasis distinguir-se necessariamente da simples negação privativa - que priva de algo isso sobre o que ela porta - e mesmo dessas atualmente designadas 'negações escalares', que indicam as hierarquias dos seres e as classes a que pertencem.

Neste sentido, a hipernegação não seria apenas uma negação dos predicados, atributos ou propriedades enquanto referentes ao Uno, mas sim a posição dos mesmos no que se refere ao vir-a-ser das coisas em geral. Por isso, a necessidade de Proclus mostrar que a negação  transcendente é superior à asserção, não estando no mesmo nível ou sendo inferior a esta (In Parmenidem, 1072 ss.); pois, se é porπ meio de uma asserção que as coisas recebem o Ser ou a Forma mediante a qual vêm a ser o que são, cujo não-ser consistiria justamente na privação de tal Forma ou Ser, no caso do Uno, a negação da Forma ou do Ser indica sobretudo que ele os transcende, que deles não é privado, já que ele é um tipo de Não-ser além do Ser e da Forma, assim como da própria asserção. De onde, ao contrário, por ser dele que procedem a asserção, a Forma e o Ser das coisas, e ser ele mesmo a causa das negações transcendentes - que tão só ao Uno se referem -, ele não participar em nenhum gênero de ser, nem ser participado por nenhum deles, mas, por meio da remoção de todos os gêneros, mostrar-se acima de todas as esferas intelectuais (In Parmenidem, 1172). Razão pela qual, também não poder haver, a respeito do Uno, nem proposição, nem nome ou, enfim, nem mesmo negação; pois, de acordo com Proclus, "tudo é inferior ao Uno, não apenas os objetos de conhjecimento, mas também os conhecimentos e os instrumentos de conhecimento" (Théologie platonicienne, II, 10, 24-26).

Desse modo, apesar de estudiosos como John N. Martin pretenderem formalizar o processo da hipernegação procliana (em interpretando-a a partir de Dionisio Pseudo-Areopagita e mesmo, a partir de sua compreensão contemporânea, em reduzindo-a à linguagem) - como outros buscam fazer com a Negação determinada de Hegel -, os quais terminam por simplesmente fixá-las em estruturas inertes, a hyperapophasis não se mostra senão como o caminho pelo qual, devido à conaturalidade com ele, a alma se eleva à comunhão com o inefável  (Théologie platonicienne, II, 10-11; In Parmenidem, 58K).
A Hyperapophasis segundo Proclus                                                                              a negação transcendente ou produtiva!
A um filósofo não convém praticar o culto de uma [só] cidade ou de um único país, mas, ao contrário, em geral, ser o hierofante do mundo inteiro” (Proclus Diadochus).
Citado por Hegel:
A Hyperapophasis segundo Proclus, a negação transcendente ou produtiva