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Proclus Diadochus
O fundador da Filosofia especulativa em geral
Proclus Diadochus (412-485 d.C.) pode ser considerado o verdadeiro fundador da Filosofia especulativa; no dizer de Hegel, da Filosofia especulativa em geral (überhaupt spekulative Philosophie). Da mesma forma, numa carta a Creuzer, datada de maio de 1821 (Briefe von und an Hegel, II, p. 266) Hegel reconhece que a Filosofia de Proclus constitui o verdadeiro ponto de passagem dos tempos antigos aos novos, da filosofia antiga ao cristianismo; a qual, de novo, nos tempos modernos se fez valer. Isso se justifica pelo modo como, pouco a pouco, para além da simples mediação entre imanência e transcendência, Hegel toma consciência do que realmente está em jogo no que tange ao desenvolvimento manente do Especulativo puro.

Para Hegel, em suas Lições sobre Proclus, das Vorlesungen über die Geschichte der Philosophie (VGPh, III, p. 75 ss.), talvez o único senão de Proclus seja o fato de, embora ele partir da Unidade e avançar rumo ao Nous de modo mediato – e isso segundo uma configuração muito concreta – o autodesenvolvimento desta Unidade não mais se produzir segundo o Conceito, como em Plotino [ainda que neste, por seu turno, isso se dê tão só mediante o Êxtase]. Todavia, segundo Hegel, o mérito de Proclus sobre Plotino se mostra em que Proclus não faz do Ser ou do momento puramente abstrato o princípio e sim a Unidade, ou que ele determina o primeiro não como Ser, mas como Unidade, e o Ser, o Subsistir, é antes concebido como o terceiro. Do mesmo modo, para Hegel, enquanto os conceitos de Unidade, Multiplicidade, Ser, etc., se apresentam em Platão ainda de modo ingênuo, sem outra determinação que a que eles têm imediatamente; para Proclus eles têm um significado superior, eles são a expressão da essência absoluta. Desse modo, em distinguindo entre Plotino e Proclus, segundo Hegel, podemos dizer que se Plotino tenta exprimir o Conceito dentro de si, Proclus leva a cabo o Conceito em sua efetividade, por seu turno, fora de si – mas, em ambos os casos, não ainda como livre em si e para si; um, o Conceito indeterminado apenas, outro, o Conceito como unidade imediata do interior e do exterior ou da essência e da existência, isto é, determinado no limite mesmo de sua reciprocidade ou de sua conversão a si.

Em todo caso, embora sua retomada de Proclus seja fundamental para o desenvolvimento propriamente científico da própria Mistagogia do Uno - a partir do princípio da Subjetividade absoluta -, nas Lições sobre Proclus Hegel se limita a discutir tão só os pontos em que a exigência procliana de uma nova iniciação aos mistérios do Uno (Théologie Platonicienne, III, 7-14 [na edição de Taylor: PT, III, p. 165 ss.]) se mostra mais acessível ao pensamento moderno; isto é, as instâncias em que Hegel mesmo se reconhece e, nos quadros de uma compreensão mais médio-platônica que neoplatônica, propõe-se retomar e desenvolver.

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