Entre outras obras, Gabler é autor
de:
System der theoretischen Philosophie. Erster
Band. Die Propädeutik der Philosophie [Sistema da filosofia
teorética. I. A propedêutica da filosofia].
Erlangen: Palm'schen Verlag-Buchhandlung, 1827. Nova
edição: Kritik des Bewusstseins - Eine Vorschule
zu Hegel's Wissenschaft der Logik [Crítica da
Consciência: Uma pré-escola para a
Ciência da Lógica de Hegel]. Hrsg. von G. J. P. J.
Bolland. Leiden, A. H. Adriani, 1901.
Exposição significativa
da Fenomenologia do Espírito de Hegel, concebida em sentido
estrito e mesmo já segundo sua
orientação enciclopédica, a primeira
parte do "Sistema da filosofia teorética", intitulada
"Kritik des Bewusstseins" [Crítica da
Consciência], discute pontos importantes da Fenomenologia do
Espírito de 1807, sob o horizonte de sua
compreensão como uma Introdução ao
Sistema da Ciência ou, de modo mais preciso, à
Ciência da Lógica. Não obstante, a
Introdução aqui em jogo se assemelha bem pouco
àquilo que literária e historicamente veio a ser
conhecido como a obra de 1807, intitulada Phänomenologie des
Geistes; isso porque o horizonte sob o qual ela é
compreendida por Gabler, e isso em seguindo as pegadas do
próprio Hegel, não é mais pura e
simplesmente o fenomenológico e sim o especulativo, o
Racional positivo ou efetivo. Neste sentido, a Kritik des Bewusstseins
não deve ser vista como um simples comentário
à Phänomenologie des Geistes e sim como uma
espécie de retomada e desenvolvimento de sua
concepção originária - essa na qual,
segundo os esboços de Hegel datados de 1805 e 1806, o Saber
absoluto ou a Ciência ela mesma tem sua emergência
quando do acesso da autoconsciência à
Razão, melhor, quando a Razão ela mesma se
reconhece como tal em sua efetividade -, isto é, tomando
como ponto de vista privilegiado, e ponto de partida propriamente
filosófico, o conceito da Consciência em geral,
que perpassa todo o desenvolvimento imanente da própria
consciência em sua elevação
à Ciência, e assim partindo da
consciência natural, explicitando seu périplo
até a autoconsciência universal e, por
conseguinte, à Razão, Gabler termina por
estabelecer o conceito de Consciência racional. Essa que,
como distinta da Consciência natural, e, por conseguinte, a
consciência da própria Razão enquanto
Razão ou a Razão consciente, ou ainda, a
Consciência que em seu ponto de partida era tão
somente em geral e, por isso, no âmbito de sua efetividade
imediata se confundia com a consciência natural, ou, mais
precisamente a consciência sensível, agora como
que consciente de seu conteúdo efetivo como propriamente
racional, se reconhece a si mesma também como racional,
podendo, portanto, de ora avante, mover-se na própria
efetividade do espírito ou no plano das essencialidades
espirituais que constituem o conteúdo da Ciência.
Infelizmente, um segundo volume - que desenvolveria essa
temática -, apesar de projetado, jamais apareceu.