SEÇÕES


METAPHYSICA SPECULATIVA
Para além do moderno
Apresentação & objetivos
Desafios e perspectivas

HYPERAPOPHASIS
Origens históricas
Negação transcendente
Alcance especulativo
Desenvolvimento atual

SYSTEMA DOCTRINARUM
Propedeutica speculativa
Logica speculativa
Philosophia absoluti
Theurgia speculativa

PROF. MANUEL MOREIRA
Curriculum Lattes
Atividades de ensino
Atividades de pesquisa
Publicações on-line
Seminários on-line

SEMINÁRIO PERMANENTE
Apresentação & objetivos
Critérios de participação
Cadastro on-line
Resumos das sessões anteriores
Membros ativos

GALERIA HISTÓRICA
Proclus Diadochus
Dionísio Pseudo-Areopagita
Meister Eckhart
Jacob Boehme
G. W. F. Hegel
Georg Andreas Gabler
Karl Friedrich Göschel
Diadochus T. Speculativus

CONTATOS
Endereço eletrônico
Endereço físico - in loco
Nome Skype & MSN



G. A. GABLER


"A Razão é em si e para si mesma a Verdade sendo-em-si-e-para-si e seu Saber absoluto; neste sentido, a simples consciência foi nela suprassumida" (Kritik des Bewusstseins, 1827, & 159).


Create your own web pages in minutes...
METAPHYSICA!     HYPERAPOPHASIS      GALERIA HISTÓRICA     HOME!
Bem-vindo ao Hyperapophasis Portal!
Hyperapophasis - Portal brasileiro de Filosofia especulativa
Georg Andreas Gabler - Sucessor direto de Hegel, seu diádoco em Berlim
Considerado por Rosenkranz o sucessor direto de Hegel e, a partir de 1835, seu diádoco em Berlim, Georg Andreas Gabler põe-se à tarefa de explicitar o núcleo teorético fundamental do Idealismo absoluto, o Elemento especulativo considerado em si e para si mesmo.

Gabler tentara desenvolver esse ponto em seu rigor propriamente científico, mas a época já não mais estava propensa a isso e ele mesmo não conseguira ir além de uma interpretação do Especulativo mais que em chave religiosa, tal como fornecida por Hegel (E., 1830, § 82 Ad.); desse modo, concebendo o conhecimento especulativo tão somente nos limites do saber humano como tal. Apesar disso, em sua Kritik des Bewusstseins (1827), Gabler fornece um comentário importante à Phänomenologie des Geistes - em sua relação com a Lehre vom Wesen -, elogiado por Hegel e, segundo Hösle, um bom complemento às exposições de D. Henrich em torno da Reflexão.  

Enfim, sua defesa do Hegelianismo, sobretudo em face dos ataques de A. Trendelemburg, o credencia a ser reconhecido como um dos mais importantes representantes do Hegelianismo.
"Hegel's directer Nachfolger, sein Diadoche zu Berlin, ist der noch daselbst lebende Professor Gabler (...)." (ROSENKRANZ, Ueber Schelling und Hegel, p. 6).

Entre outras obras, Gabler é autor de:

System der theoretischen Philosophie. Erster Band. Die Propädeutik der Philosophie [Sistema da filosofia teorética. I. A propedêutica da filosofia]. Erlangen: Palm'schen Verlag-Buchhandlung, 1827. Nova edição: Kritik des Bewusstseins - Eine Vorschule zu Hegel's Wissenschaft der Logik [Crítica da Consciência: Uma pré-escola para a Ciência da Lógica de Hegel]. Hrsg. von G. J. P. J. Bolland. Leiden, A. H. Adriani, 1901.

Exposição significativa da Fenomenologia do Espírito de Hegel, concebida em sentido estrito e mesmo já segundo sua orientação enciclopédica, a primeira parte do "Sistema da filosofia teorética", intitulada "Kritik des Bewusstseins" [Crítica da Consciência], discute pontos importantes da Fenomenologia do Espírito de 1807, sob o horizonte de sua compreensão como uma Introdução ao Sistema da Ciência ou, de modo mais preciso, à Ciência da Lógica. Não obstante, a Introdução aqui em jogo se assemelha bem pouco àquilo que literária e historicamente veio a ser conhecido como a obra de 1807, intitulada Phänomenologie des Geistes; isso porque o horizonte sob o qual ela é compreendida por Gabler, e isso em seguindo as pegadas do próprio Hegel, não é mais pura e simplesmente o fenomenológico e sim o especulativo, o Racional positivo ou efetivo. Neste sentido, a Kritik des Bewusstseins não deve ser vista como um simples comentário à Phänomenologie des Geistes e sim como uma espécie de retomada e desenvolvimento de sua concepção originária - essa na qual, segundo os esboços de Hegel datados de 1805 e 1806, o Saber absoluto ou a Ciência ela mesma tem sua emergência quando do acesso da autoconsciência à Razão, melhor, quando a Razão ela mesma se reconhece como tal em sua efetividade -, isto é, tomando como ponto de vista privilegiado, e ponto de partida propriamente filosófico, o conceito da Consciência em geral, que perpassa todo o desenvolvimento imanente da própria consciência em sua elevação à Ciência, e assim partindo da consciência natural, explicitando seu périplo até a autoconsciência universal e, por conseguinte, à Razão, Gabler termina por estabelecer o conceito de Consciência racional. Essa que, como distinta da Consciência natural, e, por conseguinte, a consciência da própria Razão enquanto Razão ou a Razão consciente, ou ainda, a Consciência que em seu ponto de partida era tão somente em geral e, por isso, no âmbito de sua efetividade imediata se confundia com a consciência natural, ou, mais precisamente a consciência sensível, agora como que consciente de seu conteúdo efetivo como propriamente racional, se reconhece a si mesma também como racional, podendo, portanto, de ora avante, mover-se na própria efetividade do espírito ou no plano das essencialidades espirituais que constituem o conteúdo da Ciência. Infelizmente, um segundo volume - que desenvolveria essa temática -, apesar de projetado, jamais apareceu.
Em carta a Gabler, datada de 4 de março de 1828, Hegel afirma:

"Sobre as características de vosso escrito, todos somos unânimes em relação ao fato que ele reúne a profundidade da compreensão especulativa com a determinidade e clareza do desenvolvimento e da apresentação. Eu me refiro de modo particular ao excurso no qual o senhor discute filosofemas de Herbart e, por este motivo os de Aristóteles, como modelos de exposição*. Seria extremamente desejável que o senhor desse o mesmo tratamento às outras edições que estão na ordem do dia." (Briefe von und an Hegel, III, p. 224-225).

(...)

"Achei primorosa vossa exposição do aparecer, à qual o senhor se refere de modo particular em seu escrito, onde, sem dúvida, a anotação ao § 89 [da Crítica da Consciência] é tematizada. Esse é um dos pontos mais difíceis, pois, mesmo se se compreende plenamente a relação [entre a força e sua exteriorização**], a exposição ainda permanece a mais difícil, a qual [no entanto] o senhor conseguiu explicitar de modo perfeito." (IBID., p. 225).
Gabler também publicou:

De verae philosophiae erga religionem Christianam pietate [Da piedade da verdadeira filosofia para com a religião cristã], Berlin, 1836; texto em que Gabler visa provar a harmonia da Filosofia hegeliana e os dogmas da Religião cristã.

Die Hegelsche Philosophie: Beiträge zu ihrer richtigeren Beurtheilung und Würdigung. Erstes Heft. Das Absolute und die Lösung der Grundfrage aller Philosophie bei Hegel im Unterschiede von der Fassung anderer Philosophen [A Filosofia hegeliana: Contribuições para o seu julgamento correto e a sua apreciação adequada. Primeiro Caderno: O Absoluto e a solução das questões fundamentais de toda a filosofia em Hegel em contraste com a concepção de outros filósofos]. Berlin: Duncker, 1843.

Nesse texto Gabler se confronta com as Logische Untersuchungen de F. A. Trendelenburg, particularmente ao seu ataque à Filosofia especulativa. As Beiträge consistem numa crítica detalhada à interpretação lógico-formal de Trendelenburg sobre o método dialético e sua relação com o Sistema da Filosofia.  

Gabler posiciona-se em face das três posições principais da filosofia anti-especulativa de seu tempo. a saber: o empirismo popular, do qual Trendelenburg se apresenta como o principal representante; a filosofia da natureza de outrora - agora (em 1843) no traje da História e da Religião histórico-positiva -, no caso, Schelling e seus discípulos; enfim, a escola dos hegelianos mais jovens. que se mostra fundamentalmente sob a forma do panteísmo. Assim, as Beiträge não apenas respondem às críticas de F. A. Trendelenburg, mas também aos principais adversários da Filosofia especulativa até então.

Georg Andreas Gabler falece em 13 de Setembro de 1853, em Teplitz.
Sobre Gabler, Vida e Obra:

BOLLAND, G. J. P. J. ["Vorrede" a Kritik des Bewusstseins]. In: GABLER, Georg Andreas, Kritik des Bewusstseins - Eine Vorschule zu Hegel's Wissenschaft der Logik. Hrsg. Von G. J. P. J. Bolland. Leiden, A. H. Adriani, 1901, p. III-XVI.
FICHTE, Immanuel Hermann, Die philos. Litteratur der Ggw.: die logische Frage zw. T. u. Gabler. Der gegenwärtige Zustand der Hegelschen Schule. Kampf des "absoluten Wissens" gg. den Empirismus. Neue Systemansätze: Zschr. f. Philos. u. speculative Theol. NF 7 [11] (1843), p. 43-128.

WIKIPÉDIA. Georg Andreas Gabler. A partir de: PRANTL, Carl von: Georg Andreas Gabler. In: Allgemeine Deutsche Biographie (ADB). Bd. 8, S. 293-294.
Copyright © 2008-2009 by Diadochus T. Speculativus.
*Hegel refere-se ao confronto de Gabler com Herbart em torno dos filosofemas de Aristóteles (ao qual Gabler identifica seu mestre) e os do próprio Herbart (a quem Gabler refuta, ao que parece, sobretudo, devido à pretensão de Herbart em tomar o estagirita como patrono de sua "metafísica do real", limitada ao nível da percepção e à esfera da consciência ordinária, como tal, em oposição à Lógica especulativa e à Filosofia do Espírito), de modo especial no que diz respeito ao tratamento das relações entre a coisa (Ding), em sua singularidade, tomada por Herbart - segundo Gabler - como única e real, e suas propriedades (Eingenschaften), tomadas como múltiplas e formais, especialmente quanto aos limites e ao alcance da contradição, negada para o âmbito das coisas e afirmada unicamente na esfera do pensamento (Veja-se, Kritik des Bewusstseins, Leiden: A. H. Adriani, 1901, § 67 A., p. 97-103; § 80 A., p. 119-125).

**Hegel refere-se à tematização gableriana do capítulo Força e Entendimento, em especial, de seu primeiro momento, o da relação entre a força e sua exteriorização (Veja-se Kritik des Bewusstseins, Leiden: A. H. Adriani, 1901, § 89 A. (p. 136-141).
Georg Andreas Gabler nasce em 30 de julho de 1786, em Altdorf, estuda Filosofia e Direito na Universidade de Iena, de 1804 até 1807, quando se torna aluno de Hegel e, como que, desde já, um de seus primeiros discípulos, senão o primeiro discípulo - em sentido estrito - do fundador da Filosofia especulativa pura. De fato, segundo G. J. P. J. Bolland (1901, p. III), Gabler fora um ouvinte assíduo de Hegel e entre outras coisas participara com grande satisfação de um collegium hegelianum sobre matemática pura no semestre de inverso de 1805-1806; provavelmente, como parece atestar sua própria obra, intitulada Kritik des Bewusstseins, publicada em 1827 e apresentada mais abaixo, Gabler também parece ter seguido as preleções sobre a Filosofia Real, pronunciadas nesse mesmo período. Em 1811 Gabler torna-se professor de Ginásio em Ansbach e, a partir de 1817, professor de Liceu em Bayreuth, onde é nomeado reitor em 1821 e, em 1830, inspetor escolar. Enfim, torna-se sucessor de Hegel em 1835 na Universidade de Berlim, quando, então ao lado de Karl Friedrich Göschel, constituirá o núcleo duro do Hegelianismo ortodoxo.